Jacques Hassoun (1936-1999)
Biografia
Nascido em Alexandria, no Egito, em 20 de outubro de 1936, numa família judia arabófona e observante, Jacques Hassoun militou na juventude no movimento comunista egípcio e foi exilado: instala-se na França em 1954, aos 18 anos. Formou-se psiquiatra e fez análise com Conrad Stein e, depois, com Jean Clavreul. Entrou tardiamente, em 1979, na École freudienne de Paris — notado por Lacan por um trabalho sobre o narcisismo primário. Quando Lacan dissolveu a Escola, em 1980, Hassoun recusou integrar a Cause freudienne e foi, em 1981, um dos cinco fundadores do Cercle freudien, cujo conselho presidiu de 1987 até sua morte, em Paris, em 24 de abril de 1999.
Desdobramento do Pensamento
O percurso de Hassoun vai da língua à memória e da memória ao luto. Fragments de langue maternelle (1979) abre a questão do lugar psíquico da língua; o romance Alexandries (1985) a encena — capítulos com nomes de mulheres, a cidade natal como personagem central de uma história de exílio. Histoire des Juifs du Nil (1990) faz dele um dos primeiros a resgatar a herança dos judeus do Egito, sua história, seus costumes e suas línguas. L'exil de la langue (1993) retoma e aprofunda a problemática de 1979; Les contrebandiers de la mémoire (1994) universaliza a questão da transmissão; La cruauté mélancolique (1995) leva o conjunto à clínica da melancolia. No plano institucional, sustentou no Cercle freudien um lacanismo sem tutela — a transmissão da psicanálise praticada segundo sua própria teoria da transmissão: sem ortodoxia, com invenção.