Jurandir Freire Costa (n. 1944)
Biografia
Nascido em Recife, Pernambuco, em 1944, Jurandir Freire Costa é psicanalista, médico, professor e ensaísta, uma das figuras mais influentes e controversas do pensamento brasileiro sobre subjetividade, política e saúde mental. Formado em medicina pela Universidade Federal de Pernambuco, especializou-se em psiquiatria e psicanálise, com mestrado em etnopsiquiatria pela École Pratique des Hautes Études, em Paris — período em que se aproximou da história das ciências e da filosofia foucaultiana — e doutorado pela UERJ. Foi professor do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), onde se aposentou como professor titular, seguindo vinculado como pesquisador visitante. Membro do Círculo Psicanalítico do Rio de Janeiro, Jurandir consolidou uma trajetória que articula psicanálise, genealogia histórica e crítica cultural.
Sua formação é profundamente marcada pelo encontro com Michel Foucault, cuja análise das práticas de saber-poder aplicadas ao corpo, à loucura e à sexualidade Jurandir transplantou com criatividade para o contexto brasileiro. Esse encontro lhe permitiu abordar a história da psiquiatria, da família e da sexualidade no Brasil não como história das ideias, mas como genealogia das formas de controle social e produção da subjetividade.
Desdobramento do Pensamento
A trajetória intelectual de Jurandir percorre um arco que vai da genealogia foucaultiana da psiquiatria e da família para uma investigação cada vez mais direta sobre a ética, a identidade e os laços afetivos contemporâneos. Em A Inocência e o Vício (1992), examina a construção histórica e política da homossexualidade no Brasil, propondo que a identidade gay — paradoxalmente — pode funcionar como dispositivo disciplinar que recaptura o sujeito na identidade estável que a psicanálise deveria justamente problematizar. Essa virada gerou controvérsias que revelam as tensões entre psicanálise, política de identidade e ética da diferença. Nos trabalhos mais recentes, Jurandir voltou-se para a questão da violência, do testemunho e das possibilidades éticas do cuidado em tempos de barbárie.