Michael Balint (1896-1970)
Desdobramento do Pensamento
Balint chegou à psicanálise marcado por Ferenczi — pela importância do trauma real, do amor na cura e da mutualidade analítica. Seus textos dos anos 1930 já questionavam o narcisismo primário freudiano, argumentando que o amor objetal é o estado original, não o autoerotismo. O narcisismo seria secundário: resposta defensiva a uma falha ambiental que força o sujeito a se recolher sobre si mesmo.
Em A Falha Básica (The Basic Fault, 1968), Balint organiza décadas de elaboração em torno da distinção entre três áreas do psiquismo: a do conflito edipiano (tratável pela interpretação clássica), a da falha básica (que exige outras formas de presença) e a da criação (espaço de produção subjetiva relativamente autônoma). Essa tridimensionalidade evita o reducionismo edipiano sem dissolver a técnica em suporte afetivo indiferenciado.