Atlas da Psicanálise

Nicolas Abraham & Maria Torok (1919-1975 / 1925-1998)

Nicolas Abraham nasceu em Kecskemét, Hungria, em 1919 e emigrou para Paris em 1938, onde se formou em filosofia e psicanálise sob influência da fenomenologia husserliana. Maria Torok nasceu em Budapeste em 1925 e também emigrou para Paris, em 1947, onde os dois se encontraram e formaram uma parceria intelectual e afetiva que produziria uma das obras mais originais da psicanálise francesa do século XX. Abraham formou-se na Société Psychanalytique de Paris, e sua trajetória teórica é profundamente independente do estruturalismo de Lacan — mais próxima da fenomenologia e da hermenêutica literária.

Nicolas Abraham & Maria Torok (1919-1975 / 1925-1998)

Biografia

Nicolas Abraham nasceu em Kecskemét, Hungria, em 1919 e emigrou para Paris em 1938, onde se formou em filosofia e psicanálise sob influência da fenomenologia husserliana. Maria Torok nasceu em Budapeste em 1925 e também emigrou para Paris, em 1947, onde os dois se encontraram e formaram uma parceria intelectual e afetiva que produziria uma das obras mais originais da psicanálise francesa do século XX. Abraham formou-se na Société Psychanalytique de Paris, e sua trajetória teórica é profundamente independente do estruturalismo de Lacan — mais próxima da fenomenologia e da hermenêutica literária. Torok analisou-se com Béla Grunberger e depois com Margaret Clark-Williams, e ela e Abraham tornaram-se colaboradores inseparáveis. Abraham morreu prematuramente em Paris em 1975; Torok continuou o trabalho conjunto, editando e publicando os textos do parceiro, até sua própria morte em Nova York em 1998.

A obra do par foi traduzida e disseminada internacionalmente em grande parte graças à colaboração com Jacques Derrida, que escreveu o celebrado prefácio Fors para Cryptonymie (1976) e escreveu sobre as noções de cripta e fantasma e depois formulou sua hantologie (Spectres de Marx, 1993) — a assombração do presente por presenças espectrais —, que as noções de Abraham e Torok informam tacitamente, segundo Colin Davis ("Hauntology, Spectres and Phantoms", French Studies, 2005); Davis observa, porém, que Derrida não busca devolver o fantasma à ordem do saber, como fazem os autores.

Desdobramento do Pensamento

O pensamento do par desenvolve-se em duas fases articuladas. Na primeira, Abraham elabora uma fenomenologia psicanalítica que relê Freud através de Husserl: o tempo, a memória e a transferência como estruturas de presentificação do passado. Produz ensaios sobre o tempo e o inconsciente e os primeiros trabalhos sobre a anasemia — a formação de sentido nos limites da linguagem, numa zona onde o símbolo fracassa. Na segunda fase, a parceria com Torok produz os textos sobre a cripta e o fantasma, culminando na releitura do caso do Homem dos Lobos de Freud em Cryptonymie (1976): propõem que o núcleo indecifrável do caso é uma cripta linguística — palavras que codificam, em línguas diversas, um segredo familiar que o Homem dos Lobos carregaria sem o saber.

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