Paula Heimann (1899-1982)
Biografia
A relação com Klein rompeu-se definitivamente em meados dos anos 1950, em parte por divergências técnicas — especialmente sobre o papel da contratransferência — e em parte por razões pessoais. Após a ruptura, Heimann desenvolveu um percurso mais independente, aproximando-se do Grupo dos Independentes da British Society. Continuou clínica e supervisora ativa até o fim da vida. Morreu em Londres em 1982.
Desdobramento do Pensamento
A obra de Heimann concentra-se em dois períodos. No primeiro, kleiniano, ela contribui para a sistematização da teoria das relações de objeto e da identificação projetiva — o artigo de 1950 sobre contratransferência é desse período. No segundo período, pós-ruptura com Klein, Heimann desenvolve uma posição mais independente: questiona o uso excessivo de interpretações profundas, valoriza a aliança terapêutica e a dimensão relacional da análise, e publica reflexões críticas sobre a técnica kleiniana que a aproximam do pensamento winnicottiano e do Grupo dos Independentes. Seu artigo tardio "Sobre a Necessidade de o Analista Ser Natural com seu Paciente" (1978) é um aprofundamento do ensaio de 1950, com nuances sobre quando e como o analista pode ou deve revelar sua resposta emocional.