Paula Heimann (1899-1982)
Biografia
A relação com Klein se rompeu por divergências técnicas, especialmente sobre o papel da contratransferência; a data da ruptura não está clara (a Wikipédia em inglês a situa em 1949, após o artigo sobre contratransferência apresentado no Congresso de Zurique) e as fontes consultadas não permitem dizer se houve também razões pessoais. Após a ruptura, Heimann desenvolveu um percurso mais independente, aproximando-se do Grupo dos Independentes da British Society. Continuou clínica e supervisora ativa até o fim da vida. Morreu em Londres em 1982.
Desdobramento do Pensamento
A obra de Heimann concentra-se em dois períodos. No primeiro, kleiniano, ela contribui para a sistematização da teoria das relações de objeto e da identificação projetiva — o artigo de 1950 sobre contratransferência é desse período. No segundo período, pós-ruptura com Klein, Heimann desenvolve uma posição mais independente: questiona o uso excessivo de interpretações profundas, valoriza a aliança terapêutica e a dimensão relacional da análise, e publica reflexões críticas sobre a técnica kleiniana que a aproximam do pensamento winnicottiano e do Grupo dos Independentes. Seu artigo tardio "Sobre a Necessidade de o Analista Ser Natural com seu Paciente" (1978), reunido em About Children and Children-no-longer (1989), trata da atitude do analista com o paciente; seu conteúdo não é resumido aqui.