Atlas da Psicanálise

Chabani Manganyi (1940-2024)

Noel Chabani Manganyi nasceu por volta de 13 de março de 1940 em Mavambe, vilarejo rural do Limpopo, na África do Sul, e foi criado pela mãe — ele próprio escreveu não haver "evidência concreta" de sua data exata de nascimento. Formou-se em psicologia pela UNISA e pela University College of the North, doutorando-se em 1970 com tese sobre imagem corporal na paraplegia. Impedido pela lei do apartheid de estagiar no hospital psiquiátrico Tara, "só para brancos", fez o internato no Baragwanath, em Soweto (1969–1973), tornando-se o primeiro psicólogo clínico negro registrado do país.

Chabani Manganyi (1940-2024)

Biografia

Noel Chabani Manganyi nasceu por volta de 13 de março de 1940 em Mavambe, vilarejo rural do Limpopo, na África do Sul, e foi criado pela mãe — ele próprio escreveu não haver "evidência concreta" de sua data exata de nascimento. Formou-se em psicologia pela UNISA e pela University College of the North, doutorando-se em 1970 com tese sobre imagem corporal na paraplegia. Impedido pela lei do apartheid de estagiar no hospital psiquiátrico Tara, "só para brancos", fez o internato no Baragwanath, em Soweto (1969–1973), tornando-se o primeiro psicólogo clínico negro registrado do país. Após pós-doutorado em Yale (1973–1975), fundou o departamento de psicologia da University of Transkei, pesquisou no African Studies Institute da Wits, dirigiu a University of the North e serviu ao governo Mandela como diretor-geral da Educação (1994–1999); passou então à University of Pretoria, onde encerrou a carreira como vice-principal (2003–2006). Morreu em 31 de outubro de 2024, aos 84 anos. Não é, a rigor, um psicanalista: é psicólogo clínico e pensador de matriz fenomenológico-existencial, cujo encontro com a psicanálise se dá de fora — e criticamente.

Desdobramento do Pensamento

O percurso de Manganyi alterna teoria, clínica e vida pública. Depois de Being-Black-in-the-World (1973), escreve em Yale os ensaios de Mashangu's Reveries (1977) e publica Alienation and the Body in Racist Society (1977); Looking Through the Keyhole (1981) reúne os ensaios dissidentes do período de Wits. Nos anos 1980 desloca-se para a psicobiografia — Exiles and Homecomings (1983), sobre o escritor Es'kia Mphahlele; depois a biografia do pintor Gerard Sekoto — e retorna à questão racial da disciplina em Treachery and Innocence (1991). Com o fim do apartheid, passa da crítica à reconstrução: diretor-geral da Educação do governo Mandela por cinco anos. Fecha o ciclo com a memória Apartheid and the Making of a Black Psychologist (2016), premiada pela Academia de Ciências sul-africana em 2018.

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