Frantz Fanon (1925-1961)
Biografia
Nascido em Fort-de-France, na Martinica, em 1925, e morto em 1961, Frantz Fanon foi psiquiatra, filósofo e militante anticolonial. Antilhano de formação francesa, alistou-se ainda jovem nas forças francesas livres na Segunda Guerra e depois estudou medicina e psiquiatria em Lyon. Formou-se na tradição da psicoterapia institucional ao lado de François Tosquelles, em Saint-Alban. Em 1953 assumiu a chefia do serviço de psiquiatria do hospital de Blida-Joinville, na Argélia, onde a clínica o confrontou com o sofrimento produzido pelo sistema colonial; em 1956 renunciou ao cargo para se juntar à Frente de Libertação Nacional (FLN). Morreu de leucemia, aos 36 anos, no exílio, pouco antes da independência argelina. Não é, a rigor, um autor africano: é caribenho que trabalhou e lutou na África.
Desdobramento do Pensamento
Fanon parte de uma leitura fenomenológica e psicanalítica da raça (Pele negra, máscaras brancas), em diálogo com Sartre, Hegel e a négritude de Aimé Césaire, seu professor. Com a experiência clínica e política na Argélia, desloca-se da questão da raça nas Antilhas para a da estrutura colonial e da libertação nacional, culminando em Os condenados da terra. A psicoterapia institucional que aprendeu com Tosquelles ganha, em suas mãos, uma inflexão anticolonial: o enquadre terapêutico não pode ignorar que o que adoece o paciente é a própria ordem colonial.