M. Fakhry Davids
Biografia
Sul-africano, M. Fakhry Davids viveu a vida inteira como membro de uma comunidade muçulmana minoritária no Ocidente — primeiro na África do Sul, depois, há décadas, no Reino Unido. Formou-se em psicologia clínica pela University of Cape Town, onde foi professor de psicologia sob o apartheid, antes de emigrar para Londres. Tornou-se Fellow e analista didata da British Psychoanalytical Society, com atuação como analista de formação e supervisor no Institute of Psychoanalysis, vínculos honorários com a Tavistock Clinic, a unidade de psicanálise da UCL e a University of Essex, e consultório em tempo integral em Londres. Integrou a Holmes Commission para a igualdade racial na psicanálise e o conselho da PCCA (Partners in Confronting Collective Atrocities), e segue trabalhando com o legado do apartheid na África do Sul.
Desdobramento do Pensamento
O percurso de Davids vai da leitura de Fanon à técnica psicanalítica. O ensaio de 1996 sobre Fanon estabelece o problema — a luta pela liberdade interna sob o racismo — quinze anos antes do livro. O artigo sobre islamofobia no pós-11 de Setembro (2006) testa o modelo num caso coletivo contemporâneo. Internal Racism (2011) sistematiza a teoria em três partes: o trabalho com a diferença, o modelo clínico do "racista interno" e suas aplicações institucionais. Depois do livro, a obra se desdobra para dentro da profissão: "Psychoanalysis and Black Lives" (2020) e "Race and Analytic Neutrality" (2022) levam a questão racial ao coração da técnica e das instituições psicanalíticas, no momento em que a Holmes Commission examinava a desigualdade racial na própria psicanálise organizada.