Ignacio Matte Blanco (1908-1995)
Biografia
Nascido em Santiago do Chile em 3 de outubro de 1908, Matte Blanco graduou-se médico-cirurgião pela Universidad de Chile em 1930 e iniciou análise pessoal no país com Fernando Allende Navarro, descrito como o primeiro psicanalista qualificado da América Latina. Mudou-se para Londres em 1933, onde treinou psiquiatria no Maudsley Hospital e se formou pelo instituto da British Psychoanalytical Society, tornando-se membro em 1938 — em plena "era das Controvérsias" entre kleinianos e freudianos clássicos. Foi supervisionado por Anna Freud e James Strachey (uma fonte acadêmica chilena atribui sua análise pessoal em Londres a Walter Schmiedeberg; as fontes não convergem inteiramente sobre os nomes e papéis exatos). Em 1940 foi para os Estados Unidos, trabalhando no Johns Hopkins, retornando ao Chile em 1943 ou 1944, conforme a fonte. Em 1946 cofundou o Centro de Estudios Psicoanalíticos chileno; em 1949, no Congresso de Zurique, a sociedade dele derivada foi reconhecida pela IPA como a Asociación Psicoanalítica Chilena. Foi, entre 1949 e 1966, o único psicanalista habilitado a analisar candidatos chilenos — período que a literatura chama de "era Matte Blanco" — e professor titular de Psiquiatria na Universidad de Chile. Em 1966 renunciou inesperadamente ao cargo e mudou-se com a família para a Itália, onde viveu até a morte, em Roma, em 11 de janeiro de 1995.
Desdobramento do Pensamento
Formado no establishment freudiano clássico de Londres — supervisionado por Anna Freud e Strachey, sem jamais integrar formalmente o grupo kleiniano, ainda que, segundo a introdução de Eric Rayner e David Tuckett a Thinking, Feeling, and Being (1988), a considerasse a mais criativa e original entre os autores inspirados por Freud —, Matte Blanco desenvolveu sua teoria à margem das disputas de escola que dividiam a Sociedade Britânica. O artigo de 1959 já propõe reformular, em termos de lógica simbólica, as cinco características do sistema inconsciente descritas por Freud: atemporalidade, deslocamento, condensação, substituição da realidade externa pela interna e ausência de contradição mútua. Essa reformulação amadurece nos dois livros maiores — The Unconscious as Infinite Sets (1975) e Thinking, Feeling, and Being (1988) — e no capítulo "Reflecting with Bion" (1981), escrito para o volume memorial organizado por James Grotstein em homenagem a Bion.