Janine Chasseguet-Smirgel (1928-2006)
Biografia
Janine Chasseguet-Smirgel nasceu em Paris em 1928 e realizou toda a sua formação analítica na Société Psychanalytique de Paris — instituição filiada à IPA, fora do campo lacaniano. Tornou-se uma das analistas mais originais da psicanálise francesa não-lacaniana, desenvolvendo um percurso que articula metapsicologia freudiana clássica, teoria da perversão e reflexão sobre a criatividade e a ideologia. Organizou o volume coletivo La Sexualité Féminine (1964), que reuniu psicanalistas franceses num debate sobre a especificidade da sexualidade feminina em relação ao modelo freudiano — obra precursora dos debates feministas na psicanálise francesa. Professora, supervisora e analista de grande prestígio em Paris, Chasseguet-Smirgel exerceu forte influência sobre a psicanálise francesa não-lacaniana e sobre os estudos psicanalíticos da perversão no mundo anglófono. Morreu em Paris em 2006.
Desdobramento do Pensamento
A obra de Chasseguet-Smirgel evolui em três eixos. No primeiro, nos anos 1960, ela contribui para o debate sobre a sexualidade feminina, argumentando — contra Freud mas também contra certas leituras feministas — que a feminilidade tem uma especificidade positiva irredutível ao complexo de castração: o desejo de receber o pênis (vagina), de gerar (útero) e de amamentar (seio) constitui uma sexualidade própria, não apenas ausência do masculino. No segundo eixo, nos anos 1970-1980, desenvolve sua teoria do ideal do ego e da perversão, culminando em Criatividade e Perversão (1984). No terceiro eixo, nos anos 1980-1990, articula perversão e ideologia: o nazismo, o stalinismo e outras formas de totalitarismo são lidos como perversões coletivas — tentativas de abolir as diferenças constitutivas do real e instalar um universo anal no lugar da lei.