Janine Chasseguet-Smirgel (1928-2006)
Desdobramento do Pensamento
A obra de Chasseguet-Smirgel evolui em três eixos. No primeiro, nos anos 1960, ela contribui para o debate sobre a sexualidade feminina, argumentando — contra Freud mas também contra certas leituras feministas — que a feminilidade tem uma especificidade positiva irredutível ao complexo de castração: o desejo de receber o pênis (vagina), de gerar (útero) e de amamentar (seio) constitui uma sexualidade própria, não apenas ausência do masculino. No segundo eixo, nos anos 1970-1980, desenvolve sua teoria do ideal do ego e da perversão, culminando em Criatividade e Perversão (1984). No terceiro eixo, nos anos 1980-1990, articula perversão e ideologia: o nazismo e, de modo mais amplo, outras ideologias de caráter utópico ou totalitário são lidos como perversões coletivas — tentativas de abolir as diferenças constitutivas do real e instalar um universo anal no lugar da lei.