Jessica Benjamin (n. 1946)
Biografia
Jessica Benjamin nasceu em 1946 nos Estados Unidos, tendo se formado em sociologia e teoria crítica antes de se tornar psicanalista clínica. Seu doutoramento em sociologia na Universidade de Nova York (1978, tese Internalization and Instrumental Culture) articulou a teoria crítica da Escola de Frankfurt — em especial Hegel e Adorno — com a psicanálise, e sua obra é associada à psicanálise intersubjetiva (o termo já circulava na psicanálise por meio de Stolorow e Atwood, em 1984). Membro da comunidade psicanalítica de Nova York, Benjamin é associada ao movimento relacional norte-americano e integra o corpo docente do New York University Postdoctoral Program in Psychotherapy and Psychoanalysis (Wikipédia, verbete "Jessica Benjamin").
Sua formação dupla — nas ciências sociais críticas e na clínica psicanalítica — confere a seu pensamento uma rara capacidade de transitar entre a teoria do sujeito, a teoria do gênero e a prática do consultório. Benjamin questionou radicalmente a concepção monádica do sujeito psicanalítico clássico, propondo que o self se constitui apenas no reconhecimento mútuo com um outro igualmente real e irredutível.
Desdobramento do Pensamento
Em The Bonds of Love (1988), Benjamin analisa como a estrutura psíquica da dominação — especialmente a dominação masculina — é reproduzida pela socialização diferencial de gênero: meninos aprendem a negar a dependência, meninas aprendem a renunciar à agência. A solução não é inverter os polos, mas sustentar a tensão do reconhecimento mútuo. Em obras posteriores — Like Subjects, Love Objects (1995), Shadow of the Other (1998), Beyond Doer and Done To (2017) — Benjamin radicaliza a perspectiva intersubjetiva, incorporando a teoria do trauma relacional e a ideia da terceridade (thirdness) como espaço de elaboração partilhada — que ela mesma distingue do terceiro analítico de Ogden.