Philip Bromberg (1931-2020)
Biografia
Philip Bromberg nasceu em Nova York em 1931 e formou-se na tradição do William Alanson White Institute, instituição cofundada por Harry Stack Sullivan, Erich Fromm, Clara Thompson e Frieda Fromm-Reichmann, que se tornaria o principal centro da psicanálise interpessoal nos Estados Unidos. Desenvolveu toda a sua carreira em Nova York como clínico, supervisor e formador, tendo sido coeditor do Contemporary Psychoanalysis. Bromberg é uma das figuras centrais da transição entre a psicanálise interpessoal clássica e a psicanálise relacional contemporânea, tendo estabelecido o estudo da dissociação — em contraste com a repressão — como eixo clínico e teórico fundamental. Sua influência se deve quase inteiramente à qualidade de sua escrita clínica: textos densos, literários, que alternam teoria e vinheta de modo inseparável. Morreu em maio de 2020.
Desdobramento do Pensamento
A obra de Bromberg desenvolve-se em dois momentos. No primeiro, representado por Standing in the Spaces (1998), ele elabora a teoria dos múltiplos estados-do-self como alternativa à metáfora do inconsciente reprimido: a clínica não é um processo de tornar consciente o inconsciente, mas de permitir que estados dissociados entrem em diálogo. A clínica ideal não visa a integração — que supõe uma unidade prévia — mas a continuidade entre estados múltiplos. No segundo momento, representado por Awakening the Dreamer (2006) e The Shadow of the Tsunami (2011), Bromberg articula sua teoria com a neurociência afetiva e com a teoria do apego, propondo que o trauma precoce opera como modulação afetiva do sistema nervoso antes de qualquer representação simbólica. O conceito de enactment é central nesse segundo momento: os estados dissociados manifestam-se no campo analítico como pressão para que analista e paciente atuem o que não pode ser dito — e o trabalho clínico consiste em reconhecer esse campo antes que a atuação se consolide.