Paul Federn (1871-1950)
Biografia
Paul Federn (Viena, 1871 – Nova York, 1950) foi um dos mais próximos discípulos de Sigmund Freud e um dos primeiros analistas a desenvolver uma teoria sistemática do ego e a propor a psicanálise como tratamento das psicoses. Médico vienense, entrou para o círculo de Freud em 1903, sendo dos mais antigos membros da Sociedade Psicanalítica de Viena — da qual se tornaria vice-presidente e, na ausência de Freud, presidente. Com a ocupação nazista da Áustria em 1938, emigrou para Nova York, onde continuou clínico e supervisor até o final da vida. Sua abordagem heterodoxa das psicoses — tratar, adaptar a técnica, reduzir a intensidade da regra da abstinência — o colocou em posição singular dentro do movimento analítico.
Desdobramento do Pensamento
A obra de Federn desenvolve-se em duas fases. Na primeira (1910-1938, Viena), concentrou-se em questões teóricas sobre o narcisismo, o ego e a morte — seu artigo sobre o instinto de morte (1932) retomou e aprofundou o debate aberto por Freud em Além do Princípio do Prazer. Na segunda fase (1938-1950, Nova York), voltou-se inteiramente para as psicoses e para a elaboração clínica de sua teoria dos estados do ego, reunida em Ego Psychology and the Psychoses (1952), publicado postumamente. Seu discípulo mais próximo foi Edoardo Weiss, que divulgou suas ideias na Itália e nos Estados Unidos.