Harry Stack Sullivan (1892-1949)
Biografia
Harry Stack Sullivan nasceu em Norwich, estado de Nova York, em 1892, filho único de imigrantes irlandeses católicos numa comunidade protestante rural. Formou-se em medicina na Chicago College of Medicine and Surgery em 1917 e iniciou carreira na psiquiatria em Washington, onde foi influenciado por William Alanson White e Adolf Meyer. Entre 1923 e 1930, desenvolveu no Sheppard and Enoch Pratt Hospital, em Baltimore, um programa de tratamento interpessoal da esquizofrenia: foi assistente médico a partir de 1923 e, de 1925 a 1930, diretor de pesquisa clínica, e estabeleceu uma enfermaria para jovens esquizofrênicos do sexo masculino. Não está claro, nas fontes consultadas, o que se pode afirmar sobre seus resultados e sobre a relação desse trabalho com a psiquiatria comunitária.
Sullivan fundou em 1936 a Washington School of Psychiatry e, em 1943, junto com Erich Fromm, Frieda Fromm-Reichmann, Clara Thompson e outros, o William Alanson White Institute em Nova York. Jamais se submeteu à formação analítica ortodoxa — o que o colocou numa posição ambivalente em relação ao movimento psicanalítico formal — mas seu diálogo com a obra freudiana é profundo e constante. Morreu subitamente em Paris em 1949, ao retornar de uma reunião da Federação Mundial de Saúde Mental, e sua obra principal, The Interpersonal Theory of Psychiatry, foi publicada postumamente (1953) por colegas.
Desdobramento do Pensamento
O Atlas lê a obra de Sullivan em três fases. Na primeira, clínica e empírica, o foco recai sobre o tratamento da esquizofrenia: a psicose não é uma regressão intrapsíquica, mas um colapso do campo interpessoal. Na segunda, teórica, Sullivan generaliza sua clínica em uma teoria do desenvolvimento humano organizada por épocas (da infância à adolescência tardia), cada uma marcada por necessidades interpessoais específicas. A época da relação de chumship (amizade íntima pré-adolescente) é o primeiro laboratório de intimidade igualitária: Sullivan a considera fundamental para o desenvolvimento da capacidade de intimidade adulta. Na terceira fase, tardia, Sullivan consolida sua epistemologia: a psiquiatria como ciência participante (participant observer), antecipando a crítica construtivista da neutralidade analítica.