Julia Kristeva (n. 1941)
Biografia
Julia Kristeva nasceu em 1941 em Sliven, Bulgária, formando-se em linguística e literatura na Universidade de Sofia antes de emigrar para a França em 1965. Em Paris, integrou o estruturalismo tardio, participando do seminário de Roland Barthes e do grupo Tel Quel. Desenvolveu relações intelectuais significativas com Jacques Derrida, Jacques Lacan e Michel Foucault, sem jamais aderir completamente a nenhum desses paradigmas. Doutora em letras e professora emérita da Université Paris VII (Denis Diderot), Kristeva é também membro da Société psychanalytique de Paris, uma dupla formação que lhe permite transitar entre teoria da linguagem, teoria do sujeito e prática clínica.
Sua trajetória intelectual atravessa diversos campos: semiótica, psicanálise, estética, teoria feminista, romance, ensaio. Além de teórica, é romancista e figura pública engajada com questões de imigração e identidade. Sua teoria do estrangeiro e da hospitalidade, em Étrangers à nous-mêmes (1988), recorre em parte à sua própria experiência de exilada búlgara na França.
Desdobramento do Pensamento
O percurso intelectual de Kristeva pode ser lido através de uma série de inflexões. Em Sèmeiotikè (1969) e La Révolution du langage poétique (1974), desenvolve a teoria do semiótico, sobretudo neste último, em leituras de Lautréamont e Mallarmé, articulando linguística, psicanálise e teoria literária. Em Pouvoirs de l'horreur (1980), elabora a teoria do abjeto através de leituras de Céline e da abominação bíblica. Em Soleil noir (1987), desenvolve a teoria da melancolia e da depressão. Em Étrangers à nous-mêmes (1988), elabora uma teoria do estrangeiro que recorre em parte à sua experiência de imigração. Obras posteriores continuam a articulação entre psicanálise, literatura e experiência histórica.