Marcelo Viñar (1936-2025)
Biografia
Nascido em Paysandú, Uruguai, em 16 de setembro de 1936, Viñar formou-se em medicina pela Universidad de la República (UDELAR) em 1965 e foi, entre 1968 e 1997, professor agregado do Departamento de Educação Médica da mesma faculdade. Formou-se psicanalista pela Associação Psicanalítica do Uruguai (APU), da qual se tornaria membro titular com funções didáticas e, mais tarde, membro honorário. Durante a ditadura civil-militar uruguaia (1973-1985), exilou-se na França junto com a esposa Maren Ulriksen, também pesquisadora — período em que, segundo relato do próprio autor (entrevista à Revista del CPM, Centro Psicoanalítico de Madrid, n. 17, 2008), sua formação inicialmente kleiniana passou a dialogar intensamente com Lacan e com as escolas lacanianas francesas. De volta ao Uruguai, presidiu a APU em dois mandatos (1994-1996 e 2010-2012) e a Federación Psicoanalítica de América Latina (FEPAL, 2000-2002), além de representar a América Latina na diretoria da International Psychoanalytical Association (IPA). Morreu em Montevidéu em junho de 2025.
Desdobramento do Pensamento
Formado inicialmente na tradição kleiniana rio-platense — herdeira direta da obra fundadora de Willy e Madeleine Baranger na Associação Psicanalítica do Uruguai —, Viñar dedicou textos aos Baranger na Revista Uruguaya de Psicoanálisis (por exemplo, "Para Willy Baranger", 1995) e, com Marcos Lijtenstein, entrevistou o casal (1992). O exílio francês (a duração varia entre as fontes consultadas; o próprio autor fala em quatorze anos de residência na França, na entrevista à Revista del CPM, 2008) deslocou essa formação inicial para um diálogo maior com Lacan e as escolas lacanianas, sem que Viñar tenha se filiado de modo estrito a nenhuma delas — descreve-se como analista que prefere a diversidade de paradigmas a um sistema dogmático, tendo percorrido referenciais freudianos, kleinianos, lacanianos, winnicottianos e bionianos (mesma entrevista). É desse cruzamento entre a tradição rio-platense do campo analítico e a psicanálise francesa pós-exílio que nasce sua elaboração sobre trauma extremo, tortura e transmissão transgeracional da violência política — tema retomado por Viñar em "Généalogie de la violence" (Libres cahiers pour la psychanalyse, n. 16, 2007, p. 159-168) e, no artigo "Political Violence: Transgenerational Inscription and Trauma" de Maren Ulriksen de Viñar (International Journal of Applied Psychoanalytic Studies, v. 9, n. 2, 2012, p. 95-108), pela companheira de trabalho.