Atlas da Psicanálise

Ángel Garma (1904-1993)

Nascido em Bilbao, Espanha, em 24 de junho de 1904, Garma estudou medicina na Universidade Central de Madrid, formando-se em 1927 depois de quatro anos como aluno interno no departamento de fisiologia de Gregorio Marañón — período em que residiu na Residencia de Estudiantes, convivendo com Lorca e Dalí. Foi para Berlim em 1927, obteve o diploma de psiquiatria pela Universidade de Tübingen (1929, sob Robert Gaupp) e ingressou no Instituto Psicanalítico de Berlim, dirigido por Max Eitingon, onde fez análise didática com Theodor Reik entre 1929 e 1931.

Ángel Garma (1904-1993)

Biografia

Nascido em Bilbao, Espanha, em 24 de junho de 1904, Garma estudou medicina na Universidade Central de Madrid, formando-se em 1927 depois de quatro anos como aluno interno no departamento de fisiologia de Gregorio Marañón — período em que residiu na Residencia de Estudiantes, convivendo com Lorca e Dalí. Foi para Berlim em 1927, obteve o diploma de psiquiatria pela Universidade de Tübingen (1929, sob Robert Gaupp) e ingressou no Instituto Psicanalítico de Berlim, dirigido por Max Eitingon, onde fez análise didática com Theodor Reik entre 1929 e 1931. De volta a Madri, tentou sem sucesso fundar uma sociedade psicanalítica espanhola, sendo hoje reconhecido como o primeiro psicanalista da história da Espanha. A Guerra Civil o levou ao exílio em 1936, via Bordeaux e Paris; chegou à Argentina em 1938. Em 15 de dezembro de 1942 foi um dos seis fundadores e o primeiro presidente da Asociación Psicoanalítica Argentina (APA) — a primeira sociedade psicanalítica da América Latina —, tendo fundado e dirigido também o Instituto Psicoanalítico de Buenos Aires (1945). Analisou, entre outros, Arnaldo Rascovsky e Enrique Pichon-Rivière, figuras centrais do núcleo fundador da APA. Morreu em Buenos Aires em 29 de janeiro de 1993.

Desdobramento do Pensamento

Formado em Berlim por Reik, no ambiente clássico do Instituto dirigido por Eitingon, Garma chega à Argentina como o analista mais próximo da ortodoxia freudiana europeia entre os fundadores da APA. É essa posição que lhe permite liderar, nas primeiras décadas da instituição, uma linha teórica que, segundo Etchegoyen e Zysman ("Melanie Klein en Buenos Aires", Int. J. Psycho-Anal., 2005), ele compartilhava com Rascovsky: a vida sexual plenamente vivida, com a genitalidade como meta, tomada como sinal de saúde mental, e interpretações voltadas a atenuar o rigor do superego e a dar passagem à satisfação pulsional — uma ênfase mais próxima de Freud do que da abordagem estrutural e depressiva de Klein. Segundo relato de Iñaki Markez (Rev. Asoc. Esp. Neuropsiq., 2006), quando Klein, depois de ouvi-lo em Londres, observou que ele não era kleiniano o bastante, Garma teria respondido: "não, porque sou garmiano" — resposta que resume sua posição de freudiano independente, incorporando da obra kleiniana apenas o que considerava clinicamente útil.

Paralelamente à atividade institucional, desenvolveu ao longo da vida sua obra sobre os sonhos — de Psicoanálisis de los sueños (1940) a Nuevas aportaciones al psicoanálisis de los sueños (1970) — e sua teoria psicossomática da úlcera, publicada em 1954 e amplamente reconhecida como uma das formulações fundadoras da psicossomática psicanalítica latino-americana.

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