Atlas da Psicanálise

Enrique Pichon-Rivière (1907-1977)

Nascido em Genebra, Suíça, em 25 de junho de 1907, filho de um casal francês (pai bretão, mãe de Lyon), Pichon-Rivière chegou à Argentina ainda criança — a família passou primeiro pelo Chaco e por Goya, na província de Corrientes, antes de se fixar em Buenos Aires. O francês foi sua língua materna; aprendeu guarani antes do espanhol. Formou-se em medicina pela Universidade de Buenos Aires em 1936 e, no mesmo ano, ingressou por concurso no Hospicio de las Mercedes (hoje Hospital Borda), onde trabalhou por mais de uma década. Analisou-se com Ángel Garma e fez controle com Celes Cárcamo.

Enrique Pichon-Rivière (1907-1977)

Biografia

Nascido em Genebra, Suíça, em 25 de junho de 1907, filho de um casal francês (pai bretão, mãe de Lyon), Pichon-Rivière chegou à Argentina ainda criança — a família passou primeiro pelo Chaco e por Goya, na província de Corrientes, antes de se fixar em Buenos Aires. O francês foi sua língua materna; aprendeu guarani antes do espanhol. Formou-se em medicina pela Universidade de Buenos Aires em 1936 e, no mesmo ano, ingressou por concurso no Hospicio de las Mercedes (hoje Hospital Borda), onde trabalhou por mais de uma década. Analisou-se com Ángel Garma e fez controle com Celes Cárcamo. Em 1942 foi um dos seis fundadores da Asociación Psicoanalítica Argentina (APA), junto com Garma, Cárcamo, Arnaldo Rascovsky, Marie Langer e Guillermo Ferrari Hardoy. Não está claro, nas fontes consultadas, em que momento e em que termos deixou de atuar como analista didata da APA, nem se chegou a desligar-se formalmente dela; um artigo acadêmico situa por volta de 1966 o deslocamento dessa condição (Agrazar, De Battista e Sanfelippo, Revista de Historia de la Psicología, 2021). Foi analista de formação de Willy Baranger, que chegou a Buenos Aires em 1946. Morreu em Buenos Aires em 16 de julho de 1977.

Desdobramento do Pensamento

Pichon-Rivière já citava Klein em suas aulas no Hospicio entre 1939 e 1948, mas é a viagem à Europa em 1951 — quando conheceu pessoalmente Klein, Lacan e Lagache junto com sua esposa, a também psicanalista Arminda Aberastury — que marca a incorporação sistemática do referencial kleiniano à sua obra: objetos internos, fantasia inconsciente, identificação projetiva, posições esquizoparanoide e depressiva. Ele adapta esse referencial à própria teoria das posições, propondo três — instrumental, patogenética e patorrítmica — em vez de duas.

A teoria da enfermedad única (formalizada como TEU a partir de 1965) e a teoria do vínculo convergem numa mesma ambição: pensar o psiquismo não como aparelho isolado, mas como processo que se constitui na e pela interação social. Essa ambição amadurece, em seus últimos anos, no deslocamento do vocabulário psicanalítico para o da psicologia social — campo do qual é considerado fundador latino-americano, com a obra Del psicoanálisis a la psicología social (1970-1971, Editorial Galerna, com reedições posteriores pela Nueva Visión).

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